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Nordestesse e Riachuelo promovem um encontro entre moda autoral e fazeres artesanais

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    Admin
  • há 12 minutos
  • 8 min de leitura
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Batizado ‘Mãos da Moda’, o projeto

vai da ideia à passarela, uma plataforma que conecta estilistas e artesãos, impulsionando a moda nacional

 

O Nordeste brasileiro, um manancial inesgotável de cultura e criatividade, está no epicentro de um movimento que promete bordar um novo capítulo na história da moda autoral nacional. O projeto Mãos da Moda se estabelece como uma ponte poética e pragmática entre a riqueza dos saberes manuais ancestrais e a efervescência do design contemporâneo.

 

Como? Por meio de um intercâmbio entre estilistas e artesãos das áreas têxteis (bordados, crochê, rendas, teares), de cestaria e de couro, buscando elevar a qualidade do artesanato e da moda autoral no Nordeste. Esta plataforma de curadoria  já lançou edital na Bahia e na Paraíba e agora anuncia as 8 marcas vencedoras. A iniciativa contempla suporte financeiro, mentorias e lançamento das coleções em uma das principais semanas de moda do país.

 

O projeto Mãos da Moda, uma iniciativa visionária da Nordestesse em parceria com o Riachuelo Lab — plataforma de curadoria de talentos em moda, arte e cultura da Riachuelo — transcende a ideia de um simples programa de incentivo. Seu objetivo principal é fortalecer e preservar os saberes manuais tradicionais do Brasil. 



 

Nascido da convicção de que a autenticidade é o fio condutor para o sucesso no cenário global da moda, o Mãos da Moda propõe uma colaboração profunda e transformadora. O propósito é claro e inspirador: impulsionar a moda nordestina com produtos que são, em sua essência, narrativas vestíveis, carregadas de história e alma.

 

Segundo os idealizadores, a proposta nasce da percepção de que "A melhor maneira de criadores de moda autoral nordestinos conseguirem espaço no competitivo cenário da moda nacional é através do trabalho em parceria com artesãos de seus estados, oferecendo um produto final autêntico, difícil de ser copiado e reproduzido em massa, carregado de histórias e que preserva saberes ancestrais artesanais."


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O caminho da co-criação na Bahia e Paraíba

 

O projeto Mãos da Moda iniciou sua jornada em outubro de 2025, com a parceria com o Riachuelo Lab, escolhendo a Bahia e a Paraíba como seus primeiros palcos, através dos projetos de incentivo à cultura nesses estados (ICMS Cultural). Em breve, deve desembarcar também no Rio Grande do Norte em 2026, a ideia é levar o projeto para outros estados do país onde as manualidades ancestrais ainda estão preservadas, consolidando-se como uma iniciativa perene.

 

Na Bahia, 23 marcas inscreveram projetos de coleção para serem desenvolvidos em conjunto com bordadeiras e rendeiras de bilro. Na Paraíba, foram 17 as marcas inscritas, com projetos que envolviam labirinto, bordado livre, couro, macramê e escamas de peixe.

 

Os projetos foram analisados por uma comissão formada pelo estilista alagoano Antonio Castro, da Foz; pela diretora criativa Celina Hissa, fundadora da Catarina Mina; por 2 representantes da Riachuelo: Fabíola Guimarães (Diretora de Branding e Criação da Riachuelo) e Constanza Pedrassani (Diretora Criativa de Produto da Riachuelo), e pela designer Luly Vianna, que será a mentora dos vencedores na Bahia, e Jackson Araújo, mentor na Paraíba.

 

Os selecionados: um encontro entre moda autoral e fazeres artesanais


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A etapa de chamada pública mobilizou a cena criativa. Deste processo, oito marcas foram selecionadas para a jornada de co-criação. Na Bahia foram seis: Inttui (Washington Carvalho), Adriana Meira, Luciana Bortowski, Dua (Camila Nascimento de Oliveira), Areia (Adailton Junior) e Teroy13 (Alexsandro Rodrigues e Albert Lefundes). Na Paraíba foram duas marcas selecionadas: Morada (Lucyanna Azevedo) e Carnavália (Duda Carvalho).

 

Na Bahia, os grupos artesanais foram selecionados pela Nordestesse em conjunto com o Artesanato da Bahia, órgão ligado à SETRE-BA responsável pelo fomento ao artesanato no estado. Na Paraíba, os grupos artesanais foram selecionados em conjunto com o PAP (Programa do Artesanato Paraibano), órgão ligado à Secretaria de Estado do Turismo e Desenvolvimento Econômico.

 

Da ideia à passarela

 

A segunda quinzena de novembro marcou o início da fase mais visceral do projeto: os primeiros encontros entre os estilistas e seus grupos artesanais, o que marca o início da parte prática do projeto. Para garantir que a visão se materialize, o Mãos da Moda oferece um suporte financeiro vital para insumos e mão de obra: R$ 18.000 para cada marca autoral e R$ 12.000 para cada grupo artesanal. Este investimento não apenas viabiliza a produção das coleções de 10 a 12 looks, mas é um reconhecimento tangível do valor inestimável do trabalho artesanal.



 

Além do aporte financeiro, estilistas e artesãos também terão a oportunidade de participar de oficinas de branding, estratégias comerciais e comunicação digital ao longo do processo de desenvolvimento das coleções. 

 

 

O clímax desta primeira edição do Mãos da Moda será o lançamento destas co-criações. As coleções devem ficar prontas até março de 2026 e em seguida serão lançadas em eventos locais (de cada estado). Em junho de 2026, terão lançamento nacional nas passarelas do Dragão Fashion Brasil, em Fortaleza, maior semana de moda do Nordeste. Os custos de participação no DFB, incluindo transporte, hospedagem e alimentação, serão integralmente custeados pelo projeto. 

 

Conheça a história dos participantes: Bahia e Paraíba

 

Esses nomes representam a diversidade da moda autoral baiana e paraibana, desde a alfaiataria descolada até o streetwear de estética vibrante, todos agora unidos aos mestres artesãos.

 

Adriana Meira (BA) + Associação de Mulheres Artesãs de Barra Bananal e Riacho das Pedras@adrianameiraatelier@mulheresartesasquilombolasrc

 


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Os caftãs, jaquetas e vestidos com apliques de tecido formando santos, orixás e imagens abstratas da estilista baiana já rodaram o mundo. Nascida em Brumado, no sertão da Bahia, onde está hoje seu ateliê, Adriana trabalhou na Huis Clos e Adriana Barra antes de lançar sua própria marca, conhecida hoje pelos patchworks de camurça aplicados em linho, jeans e algodão. 

 

Adriana escolheu a Associação de Mulheres Quilombolas Artesãs de Barra Bananal e Riacho das Pedras, em Rio de Contas, que fica a cerca de uma hora e meia de sua terra natal, Brumado. A região destaca-se pelo crivo rústico, bordado de origem portuguesa adaptado na Bahia, que utiliza tecidos de sacaria e linhas grossas para criar padrões geométricos e peças de rusticidade elegante.

 

AREIA (BA) - Adailton Alves de Oliveira Júnior + AMAPA - Associação das Mulheres Artesãs Padre André@amoareia @amapa_crr



 

Fundada há 5 anos por Adailton Junior, a Areia tem como ponto forte a modelagem oversized e formas fluidas, que dão bossa e rejuvenescem a moda baseada em tecidos de fibras naturais como linho e algodão. O uso pontual de bordados e de palha de piaçava nas golas e barras mostra como a moda se sofistica e se fortalece quando recorre às artesanias de seu território.

 

Adailton vai trabalhar com a Amapa (Associação das Mulheres Artesãs Padre André), de Correntina, região conhecida pela produção de algodão e onde as artesãs, literalmente, pintam e bordam com tecidos feitos do material. Fundada na década de 1980, a iniciativa busca resgatar a história local, transformando cada bordado em uma narrativa viva da cultura e das tradições do lugar.

 

CARNAVÁLIA (PB) - Duda Carvalho + Aramê (Associação dos artesãos e artesãs de Araruna)@shopcarnavalia

 

A Carnavália nasceu em João Pessoa em 2017, bebendo em fontes da cultura brasileira e com o olhar atento e sensível às raízes nordestinas. As inspirações da da designer parahybana Duda Carvalho dançam entre cenários oníricos e todo o furor eletrizante de festas como Carnaval e afins, misturando leveza e exuberância, sensualidade e conforto, numa estética divertida, sofisticada e muito colorida.

 

A Carnavália passará a colaborar com a Aramê, associação de 34 macramistas de Araruna, no Brejo paraibano. Reconhecida pela habilidade de suas artesãs, a Aramê produz peças que expressam a identidade local e o orgulho de uma comunidade movida pela criatividade e pelo trabalho coletivo.

 

DUA (BA) - Camila Nascimento de Oliveira + Associação Artesanal Chitarte

@somosdua@chitarte

 

As bijoux criadas por Camila para a Dua, marca que lançou com a mãe em 2018, quase sempre trazem branco, dourado e detalhes de búzios africanos. “Minha avó paterna, Dona Alzira, era autoridade no candomblé e sempre andava com um balangandã e peças douradas. Quando faço minhas bijoux, sinto essa conexão com ela, é como se estivéssemos conversando.” Inquieta, apaixonada por experimentações com materiais (cerâmica e madeira já entraram em suas coleções) e dona de mãos habilidosas, Camila cria ciente de sua responsabilidade em manter viva a cultura de seus antepassados.

 

Camila vai trabalhar com a Associação Artesanal Chitarte, formada por 17 mulheres de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, que além de serem exímias bordadeiras, desenvolvem um trabalho importantíssimo na preservação e valorização da chita. 

 

INTTUI (BA) - Washington Carvalho + Rendavan (Associação das Rendeiras de Dias D’Ávila)

@inttui__ @rendavan2019


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A Inttui surge com a proposta de rebobinar nosso olhar sobre a alfaiataria: modelagens amplas, silhuetas fluidas e cortes descolados do corpo são a marca da registrada. Sob direção criativa de Washington Carvalho, a marca valoriza processos lentos e sem pressa. Cada coleção é uma ode à estética poética e ao verdadeiro saber-fazer manual, questionando formatos estabelecidos e atualizando o conceito de formal. É uma alfaiataria que dialoga com o presente e se abre para o futuro.

 

A Rendavan, de Dias D’Ávila, município da região metropolitana de Salvador, a 50 km da capital, foi o grupo selecionado na tipologia Renda de Bilro. Fundada em 2009 pela mestra Dinoélia Trindade, a associação promove união, aprendizado e geração de renda para mulheres, preservando saberes tradicionais por meio de cursos. Em 2025, foi reconhecida como Pontão de Cultura.

 

LUCI BORTOWSKI (BA) - Luciana Bortowski + Associação dos Artesãos de Saubara

@lucianabortowski

@rendeirassaubara

 

Um pano de prato vira camisa. Toalhas de mesa rendadas se transformam em vestidos. Guardanapos bordados, em tops e sutiãs. Tapeçarias, em jaquetas. Tudo isso arrematado por aviamentos esquecidos. A mágica acontece no ateliê de Luciana Bortowski no Vale do Capão, na Chapada Diamantina. Depois de anos trabalhando como braço direito da designer Fernanda Yamamoto, Luci se mudou para a Chapada na pandemia e decidiu que sua missão seria tornar a moda regenerativa desejável para além do impacto positivo que gera no ambiente.

 

Na cidade de Saubara, no Recôncavo Baiano, às margens do Rio Paraguaçu, a Associação dos Artesãos de Saubara segue, desde 1999, fazendo o melhor em renda de bilros e trançado em palha de ouricuri. A delicadeza da renda de bilro acaba de conquistar a Indicação Geográfica (IG), do tipo Indicação de Procedência (IP), um reconhecimento que reforça sua autenticidade e qualidade.

 

MORADA (PB) - Lucyana Azevedo + Associação Quilombola de Pedra D’Água

 

A marca paraibana surgiu a partir de uma pesquisa iniciada em 2020 pela designer brasiliense radicada em João Pessoa, Lucyana Azevedo, com o bordado labirinto, com o objetivo de identificar seu potencial na moda, reunindo vocações locais (sobretudo no entorno do município de Ingá, no agreste paraibano) e construindo uma rede produtiva. A Morada também é conhecida pelo uso de tingimentos naturais feitos com corantes vegetais da caatinga, como angico, aroeira, jucá e romã.   

 

Ao longo dos próximos meses, a Morada desenvolverá a coleção em conjunto com a Associação Quilombola de Pedra D’Água, do município de Ingá. A Associação Quilombola de Pedra D’água, localizada no município de Ingá, a 100 km da capital paraibana, foi o grupo selecionado na tipologia Bordado Labirinto para o projeto Mãos da Moda Paraíba. O grupo é composto por uma média de 20 mulheres que mantêm viva uma tradição que demarca culturalmente o território, representando o entrelace entre mães, filhas e avós que tecem histórias, memórias e identidades através dos fios.

 

TEROY13 (BA) - Alexsandro Rodrigues e Albert Lefundes + Grupo Mulheres do algodão de Guanambi@teroytreze @mulheresalgodaogbi

Fundada no início de 2019 pelos soteropolitanos Alexsandro Rodrigues e Albert Lefundes, a TEROY13 nasceu do desejo de transformar vivências da dupla em experiências por meio da moda. Com o streetwear como base e o clubber wear como uma de suas principais vertentes, a TEROY13 se inspira nas subculturas periféricas e nas festas noturnas, e o resultado é uma estética vibrante, política e urbana. 

 

A Teroy 13 atuará com o grupo Mulheres do Algodão de Guanambi, liderado por Ana Fiúza Caires, um coletivo que produz peças em algodão agroecológico, desde o plantio até o acabamento. Trabalhando com fibras brancas e naturalmente coloridas, as artesãs se dividem entre fiar, tecer e bordar, unindo técnicas como tecelagem, bordado, macramê e crochê. O grupo tem como missão resgatar e preservar a tradição da cotonicultura e do artesanato na região.

 

 

O MÃOS DA MODA BAHIA é um projeto idealizado pela Nordestesse e realizado pela Boreal Studio, com patrocínio da Riachuelo e do Governo do Estado da Bahia, através do Fazcultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda.

 

O MÃOS DA MODA PARAÍBA é um projeto com patrocínio da Riachuelo. Ação selecionada no edital Ações Continuadas, do programa ICMS Cultural, da Secretaria de Estado da Cultura e do Governo do Estado da Paraíba.

 
 
 

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