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“SEGURA O TRIO, MOTÔ!”, CONHEÇA A ROTINA DE UM MOTORISTA DE TRIO DURANTE O CARNAVAL.




Uma das figuras mais importantes no Carnaval de rua é a do motorista de trio elétrico. Eles são os trabalhadores que passam horas em estado de alerta para que o trajeto do circuito possa ser feito sem complicações na folia momesca. No entanto, apesar de sua importância para o sucesso do evento, muitos desses profissionais enfrentam condições de trabalho extremamente desafiadoras.


Entre as condições mais preocupantes enfrentadas pelos motoristas de trio elétrico estão a falta de tempo para descansar e o risco de exaustão física.


“Aqui no circuito Mestre Bimba eu faço carnaval há 3 anos e este tem sido o pior que eu já fiz. Estou sem dormir direito, sem um banho digno, é só sofrimento”, destaca o motorista Anderson, de 49 anos de idade morador de Aracaju e que há 25 anos faz parte da festa do Momo dirigindo trios elétricos.

Anderson acredita que parte dos problemas atrelados a rotina insana dos motoristas poderia ser resolvido se houvesse uma rede de acolhimento e suporte para eles. “Se tivesse uma pessoa que chegasse e falasse:


"Vamos abraçar você e te colocar aqui numa casa para você dormir um pouco com qualidade’, já seria uma grande ajuda. Nem que fosse por quatro horas”, conta.

É evidente que esses profissionais merecem condições melhores, tratamento digno e respeito – afinal, a rotina de trabalho desses profissionais não é fácil.


“Hoje eu fui dormir quatro horas da manhã, seis horas eu já estava acordando. Eu durmo dentro do trio, na parte de cima. Como eu cubro com a lona, quando o sol começa a bater fica muito quente. Além disso, o primeiro bloco saía às 10h, antes disso que preciso estar com tudo pronto: trio arrumado e já posicionado no local para poder subir e descer com as bandas. Não me alimento direito e fico o dia todo sem tomar banho”, finaliza.

Enquanto os foliões se divertem, os motoristas não podem nem pensar em se distrair.


“O preparo aqui é intenso. Tem que estar bem descansado para poder garantir o maior cuidado com a segurança do pessoal. Além de manter a simpatia para que não haja dor de cabeça e estresse com as outras pessoas. Não dá para curtir o carnaval. O foco aqui é total, sem distrações”, conta o motorista Jocimar de 45 anos de idade.

É o que complementa também o condutor Milton Santana de 60 anos de idade que há mais ou menos 10 anos pilota trio elétrico: “não dá para aproveitar porque a responsabilidade é grande. Você não pode se dispersar. A atenção é redobrada. Tem que ter cuidado principalmente com os foliões que estão bebendo e aqueles que se distraem e podem vir passar por perto do carro”. Ele também afirma que a rotina é muito pesada e o tempo de descanso é bem curto. “O tempo de descanso é pouco. Você precisa sempre chegar com antecedência na concentração do bloco. Tem que chegar cedo, às vezes precisa chegar entre 06h e 07h antes do início do desfile”.


A pressão constante para manter o controle sobre o trio elétrico e garantir a segurança do público pode ser estressante e exaustiva. É importante que as autoridades e organizadores de eventos tomem medidas para garantir que os motoristas de trio elétrico tenham as condições de trabalho seguras e confortáveis que eles merecem.

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