FEIRA VEGANA DE SALVADOR JÁ CONTA COM 40 EXPOSITORES


Foto: Divulgação


A falta de restaurantes e lanchonetes que produzem alimentos sem origem animal foi o pontapé para que a biomédica Hanna Soares deixasse seu emprego e decidisse empreender.


Em 2016, a partir de uma necessidade de comer na rua e não encontrar nada que suprisse isso, surgiu a Veganas Baianas, que funciona como delivery e encomenda de todo o tipo de comida sem crueldade animal.

Vegetariana há 15 anos e prestes a completar nove como vegana, Hanna é também uma das organizadoras da Feira Vegana Salvador, a primeira feira voltada para o público vegano na capital baiana e que acontece sempre no primeiro final de semana de cada mês.


Ao lado de Hanna, estão Ana Paula Paixão, da Amana, que vende sushis e temakis; e Alzira Bhakti, da Bhakti Pastéis Integrais, formando o coletivo que ajuda a organizar a feira, que já acontece desde 2017 em vários locais da cidade.


A biomédica lembra que as feiras foram um ponto de virada para a Veganas Baianas, porque, segundo ela, as pessoas evitam comprar comida de empreendimentos desconhecidos.


"Eu não fazia feira vegana porque ainda não existia, mas fazia outras feiras na cidade, dentro do nicho de opções vegetarianas”, conta. "Por isso a importância de fazer: feira coloca seus produtos na rua e as pessoas têm a possibilidade de conhecer o que você realmente faz”, acrescenta.

Para quem não é familiarizado com os termos, o veganismo é um modo de viver resumido pelo não consumo de produtos de origem animal ou testados em animais, sejam eles alimentos, roupas, cosméticos, calçados e acessórios, entre outros itens. O vegetarianismo, mais popular, é o não consumo apenas de alimentos de origem animal.



Segundo Hanna, o veganismo é um estilo de vida muito mais que uma dieta. A dieta, nesse caso, é a do vegetariano.


“A gente não come nada de origem animal, mas o veganismo ultrapassa essa parte. É um movimento de respeito ao meio ambiente, a todos os animais, ao não especismo e alimentação consciente, e a milhões de outras frentes políticas. O veganismo é muito mais uma frente política do que uma dieta”, afirma.

Em 2017, empresários do setor de produtos veganos afirmavam que o crescimento do mercado no Brasil cresce 40% ao ano no Brasil, no entanto, não há novos dados. Segundo pesquisa do Ibope Inteligência, de abril de 2018, 14% da população brasileira se declara vegetariana.


No site de pesquisa Google, de janeiro de 2016 a janeiro de 2021, o volume de buscas pelo termo ‘vegano’ aumentou mais de 300% no Brasil.

A biomédica acredita que esses dados refletem o aumento de interesse das pessoas em Salvador. Segundo ela, no veganismo, o nicho de alimentação cresce mais rápido do que os outros. No entanto, atualmente há uma estagnação, que ela acredita ser devido à crise que o país enfrenta.



Presentes e atuantes


Ana Paula Paixão, uma das organizadoras da feira e responsável pela Amana, acredita que muito disso é reflexo do interesse dos mais jovens, que se mostram presentes e atuantes nas edições da feira.


“A gente vê que os mais jovens se voluntariam para pegar assinaturas, eles querem saber de onde vem a comida, o produto. Vemos uma consciência muito maior, vemos os jovens puxando as famílias, os pais e avós, para irem à feira. É um momento muito bacana. Há uma consciência. E acho que o mercado tem crescido porque está tendo mais possibilidades”, conta.

A Amana, empreendimento de Ana Paula, focado em sushis, hot temakis e hot rolls veganos, surgiu praticamente junto com a feira, em 2017. A ideia surgiu num grupo do Facebook de empreendedores veganos de Salvador, que logo foi para o WhatsApp e, assim, ganhou forma. Já passaram pelo Passeio Público, no Campo Grande, e em outros locais de Salvador, até parar em março de 2020, por conta da pandemia.


Em abril deste ano voltaram, agora no Parque da Cidade, onde realizam o evento desde então. Ana Paula lembra que, no início, eram 15 expositores, hoje são cerca de 40 por edição – que comercializam desde alimentos, cosméticos, utensílios e o que mais encaixar na proposta, contanto que sejam veganos ou que os produtos oferecidos sigam a filosofia.


Uma das expositoras é a gestora ambiental por formação, Bárbara Santos, da Bosque dos Aromas, que desde maio participa da Feira Vegana. O empreendimento, no entanto, existe desde 2019. O projeto surgiu porque ela precisa dedicar mais tempo filha, que tem paralisia cerebral, e isso a impede de manter um trabalho com uma rotina mais fixa.


Junto com a mãe, Bárbara toca a Bosque dos Aromas com vendas online nas redes sociais e sites de vendas de produtos, como o Shopee, além de venda em feiras, é claro. Com produtos que vão de R$ 12,99 (sombra para olhos) até R$ 54,99 (máscara capilar), ela acredita que consegue desmistificar a ideia de que veganismo é algo para a elite.


“Procuramos ter o preço mais baixo e justo para poder atingir todo mundo. Tem o mito de que vegano é rico, não é. Tem produtos para todas as classes sociais do veganismo”, afirma Bárbara. “Tenho muitos clientes que nem veganos são, mas procuram usar produtos que não são testados em animais. Tenho cliente de tudo que é categoria, de pessoas que moram em favelas até moradores do Corredor da Vitória”.

Ela diz ainda que na feira atende mais de 150 clientes nos dois dias, o que é mais do que faz durante o mês apenas com as vendas online.


“Na pandemia, até conseguia vender mais online. Agora, as pessoas não querem mais comprar online. Até clientes que eram do online, esperam chegar a feira para ir comprar. Eles querem ver, pegar”, conta Bárbara.

Também presente com produtos cosméticos, está a Simple Organic. Diferente da Bosque dos Aromas, a Simple Organic está presente para além do online, num quiosque localizado no Shopping Barra. A gerente da unidade de Salvador, Ritielle Nunes, destaca que participar da Feira Vegana traz um contato mais descontraído com o público, o que não é possível no dia a dia do shopping.


"Muitas vezes, nos shoppings as pessoas vão com pressa para comprar e resolver outras coisas. Na Feira Vegana, as pessoas estão mais abertas a ouvir, os que não conhecem a marca param para descobrir o que é, ficam curiosas e conseguimos explicar direitinho, qual o nosso propósito, e acho que na Feira Vegana conseguimos esse contato menos rápido, mais humano com os clientes”, pontua Ritielle.

Sem entrar em detalhes, ela afirma que também obtém bons resultados na feira, mas o destaque para ela é esse contato diferenciado com o cliente mesmo. Na Simple Organic, o público encontra produtos de cuidado com a pele do rosto e do corpo, além de alguns produtos de bem-estar.


Ratielle conta que quem chega no stand da empresa na Feira Vegana são os clientes veganos que já conhecem os produtos e estão lá para participar da feira e prestigiar outras marcas e expositores. Na ocasião, eles aproveitam para repor o estoque. Os produtos da empresa possuem embalagens recicláveis e sustentáveis, ou seja, podem ser reutilizados. Uma preocupação também das organizadoras do evento, que buscam evitar plásticos ou embalagens que não sejam recicláveis.



Fonte: https://atarde.com.br/muito/feira-vegana-de-salvador-ja-conta-com-40-expositores-1209826

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