A CASA DO CARNAVAL E AS MEMÓRIAS DA FOLIA



Todo ano é a mesma coisa: passados verão e carnaval, Salvador entra em uma espécie de banzo. Os órfãos do período momesco, que esperam ansiosos pelo fevereiro seguinte, conquistaram a chance de matar a saudade e, de quebra, aprender um pouco mais sobre a história da maior festa popular do planeta.


No Centro Histórico, entre a Catedral Basílica e a Praça da Sé, está a Casa do Carnaval da Bahia, um museu permanente dedicado à memória da folia baiana. Quem chega dá de cara com o prédio histórico, datado de 1911, onde funcionava a antiga Casa do Frontispício e restaurado pelo Iphan para abrigar a “residência” oficial da festa.

No hall de entrada, o visitante é recebido por uma biblioteca repleta de livros sobre o tema e dois painéis assinados pelo artista plástico J. Cunha – um, na parede, e outro no teto. Antes de entrar no primeiro pavimento, “Origens do Carnaval”, são distribuídos audioguias, equipamentos eletrônicos que complementam a visita, oferecendo informações de maneira interativa.



A sala tem capacidade para 20 pessoas e mostra ao visitante os acontecimentos mais marcantes ao longo da trajetória da festa, desde os bailes criados pelas elites para distanciarem-se do carnaval popular à criação dos primeiros afoxés. Além disso, estão expostas no espaço 200 miniaturas de cerâmica dos principais protagonistas da folia, como o folião, a baiana do acarajé, o ambulante e músicos como Carlinhos Brown, Gerônimo e Luiz Caldas – todas peças de autoria da artesã Cibele Sales.




A “Sala da Criatividade e Ritmos do Carnaval da Bahia” é um pouco maior que a anterior e convida o visitante a contagiar-se pela vibração da festa, por meio de músicas características, luzes e fitas de LED.


O surgimento do primeiro trio elétrico, as primeiras “mortalhas”, a criação dos blocos afro, a introdução do samba e do pagode no carnaval: tudo está lá, devidamente documentado em vídeos narrados por Caetano Veloso, Regina Casé, Baby do Brasil, entre outros. Atabaques, agogôs, xequerês e outros instrumentos musicais foram doados por grupos e artistas, como Filhos de Gandhy e Márcio Victor, para compor as vitrines, além de figurinos originais usados por Ivete Sangalo, Margareth Menezes e Daniela Mercury. O acervo também conta com fantasias dos principais blocos afro de Salvador.

No andar de cima, na sala de cinema que comporta até 30 pessoas, o visitante pode escolher entre os vídeos disponíveis exibidos no telão e aprender as principais coreografias do carnaval, com histórias narradas pelos artistas. Durante nossa visita, um grupo de crianças aprendia os passos de “Tudo nosso e nada deles”, de Igor Kannário.


A ideia é promover um enorme espaço interativo onde se possa aprender, mas também se divertir. O último pavimento é um terraço amplo com palco, mesas, cadeiras e vista para a Baía de Todos os Santos, reservado para receber pequenos shows, lançamentos de livros e saraus.


Com curadoria e concepção cenográfica do artista Gringo Cardia, a Casa do Carnaval da Bahia é o primeiro museu do país dedicado ao tema e um espaço voltado não só a turistas e moradores de Salvador, mas também a historiadores e pesquisadores. A maior festa popular do planeta tem endereço fixo e as portas seguem abertas para aqueles que desejam conhecer suas histórias.

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